Diário de um bração – Parte I “O regresso ao simracing”

Nunca fui um bom piloto de AV, falta treino, entendimento de set up e principalmente, velocidade, geralmente os pilotos chamados de brações pecam por alguns motivos, entre eles está a inconstância, as vezes somos rápidos, mas na tentativa de fazer algo que saia dos nossos limites, fazemos a famosa braçada. Isto acontece por N motivos, mas geralmente é querer forçar ou andar acima do limite em corrida, não em treino. Reza a lenda que sempre que um bração entra no túnel ele faz cagada.

Nesta série de posts vamos acompanhar um bração no seu regresso ao simracing depois de um ano parado, vamos ver os medos, o desempenho,
vamos conhecer a rotina e acompanhar todas as pitorescas tentativas de ser melhor.

Na racelan atualmente temos um campeonato de carros GT3, os modelos que competem são Audi R8 LMS Ultra, BMW Z4 GT3, Lamborgini Huracan GT3, Mercedes Benz AMG GT3, Mclaren 650S GT3 e Nissan GTR GT3.

Para este campeonato, escolhi correr de Audi, pelo som do ronco do motor e porque é um carro “Novidade”, mas não fiz muitos testes, foi uma escolha
pessoal, logo mais, eu me depararia com algumas situações chatas como o damage model e o crucial, como lidar com altas temperaturas.

Esses são meus braços atuais no simracing

Nos primeiros treinos com altas temperaturas, já senti a falta de grip, tentei pesquisar na internet o que fazer nestes casos e testei as sugestões
dos sim engineers.  Algumas funcionaram outras não, mas o estudo e a informação nunca são demais.

Os treinos não foram como eu esperava, não conseguia treinar devido a ter muita coisa para se fazer domesticamente e uma linda menina de 10 meses para aveludar o dia-a-dia, assim os antigos long runs que fazia, já não são os mesmos, não consigo mais, desta forma o foco partiu de “ser constante nas poucas voltas” que eu conseguia rodar nos treinos.

Faltou treino realmente, na corrida já percebeu-se isso nas 3 primeiras voltas mas vou abordar isso logo mais.

A esperança era que as pesquisas da internet surtissem efeitos e assim eu conseguisse o pulo do gato dos brações que era somente alguns segundos a menos.
A quest desta etapa foi, como conseguir grip em alta temperatura de pista? O carro parecia um sabão, escorregava muito e com isso eu parecia um
piloto oriental fazendo drift. Mas as poucas voltas de treino já se mostraram úteis no qualy.

A classificação

No qualy, foi a primeira vez que usei os pneus soft em todo o fim de semana, a pista ajudou pois estava em 28 graus, um ajuste na calibração dos
pneus e consegui em duas voltas meu melhor tempo em spa, usando o Audi R8, 2:23:020, ou seja, a busca pelo graal do grip ajudou a saber exatamente onde eu não ia bem e com um pneu melhor, forçar ali. Com esta volta eu estava em 15th no qualy, na volta seguinte eu já tinha baixado mais de meio segundo na “eau rouge pezzotti”, quando fui forçar a subida destracionei e bati de forma linda, como todo bração que quer fazer o que não sabe. Fim de qualy, mas levei o carro até os boxes com a sensação de que o dever estava cumprido, afinal um ano parado e ficando em 15th de 27 pilotos, estava mais do que feliz.

A corrida

Na corrida eu devo ter me empolgado, mas deveria ter me controlado, nas primeiras voltas com pneu frio, acabei escapando na pouhon e quase fiz um acidente homérico, cai para ultima posição. Voltei, esfriei a cabeça e fui remando, foi muito legal alcançar algumas pessoas e poder dividir curva, ficar com medo de fazer merda e pegar vácuo etc, acredito este ser o tesão de uma corrida virtual. Numa volta coloquei de lado na reta oposta o oponente tinha uma AMG, mas eu fiquei por dentro e mesmo tendo a vantagem de conseguir ultrapassar eu tirei o pé pois não tinha o referencial das placas, recolhi e fiquei seguindo o rapaz. Comboiei ele a volta toda e na volta seguinte, coloquei por fora e ele foi muito limpo na manobra também, conseguimos contornar os dois mas a linha de corrida estava comigo.

Ultrapassar assim me fez ter muita satisfação em correr de novo, geralmente o bração fica solitário e abrindo passagem para os caras que vem dar voltas, isso tira o gosto da coisa, mas correr e disputar posição, mesmo que seja um 17º lugar é sensacional. Porém como todo bração eu me empolguei e achei que eu estava saindo do status “de Cesaris” para status “Montoya”, que em duas voltas eu tinha ganhado mais velocidade e novos braços que faziam com que eu contornasse as curvas como nunca antes visto na história desse país. Mas eu estava enganado.

A sequência foi muito legal, estava em um trenzinho com 3 carros a minha frente e um atrás, era um comboio grande, não estávamos tão colados mas tinha que ter cuidado, queria apertar o ritmo para chegar nos da frente e me defender do que vinha atrás. Nessa hora eu desci do degrau que eu nunca havia subido para fazer com propriedade o que chamamos de “cácaca” (Estou utilizando um mindset de um pai de uma menina de 10 meses), de pensar que estava no degrau que eu almejava, que era o degrau “speed a.k.a Montoya”, para o degrau “Nakajima”. Em uma curva de alta, fui para área de escape, mas ao invés de tirar o pé para retornar com segurança e só então retomar a aceleração, não aliviei mas quis retornar o mais rápido possível, o carro com pneus sujos rodou e se espatifou no muro. Resultado da braçada, 1,6 segundos mais lento por volta. Depois de andar mais 8 voltas desse jeito, resolvi para no pit na volta 13, teoricamente era só arrumar o carro, trocar pneus e voltar para a race, mas o bração não faz somente caquinha dentro da pista, ele faz fora também. Eu havia carregado um set up de teste com apenas meio tanque, ou seja, apesar de acreditar que estava com tanque para full race, eu não estava, foi quando saí dos pits que me lembrei que eu havia esquecido de trocar os pneus, ou seja, erro seguido de erro, até aí os 80 segundos que perdi no pit, não faziam tão mal assim, quando termino a volta de pneus frios acende a luz amarela de que meu combustível está para acabar, já tinha aceito o desafio de terminar a prova esfarelando os pneus, mas sem combustível não iria conseguir. Assim, voltei para os pits e desta vez, troquei pneus e reabasteci.

Teoricamente a minha corrida tinha acabado ali, mas pensei, vai que alguém se enrosca lá na frente né? De qualquer forma estava muito legal correr, vou continuar, depois de duas voltas eu tinha tirado 30 segundos do 20th que estava logo a minha frente, pensei, vou colar no cara e ver se consigo algumas manobras e tento ganhar a posição.

Escapadas como esta foram constantes na etapa de Spa

Ele ainda estava 17 segundos à minha frente, mas a diferença ia caindo. É aí que você vê que o bração não pode se empolgar, jamais, tentando apertar o ritmo para alcançar o cara, errei na “eau rouge pezzotti” e lavei o muro com tinta. Resultado, estava mais lento novamente. Fiz as últimas voltas não conseguindo baixar de 28 alto, o que era muito triste, tomei volta de um monte de gente, mas estava ali, tentando ser o que sempre fui, um bração de categoria A++.

Finalizei a corrida em 20th, para quem largou em 16th, foi trágico, mas “carreras son carreras”, um dia com treino e menos empolgação eu consigo o santo Graal das corridas virtuais, a constância… Nos vemos na semana que vem, desta vez em Zandvoort, os preparativos começam amanhã.

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